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sexta-feira, 20 de abril de 2007

Vinho Mágico (excerto do livro Vinho Mágico de Joanne Harris)


O vinho fala. Toda a gente sabe isso. Olhemos à nossa volta. Perguntemos ao oráculo na esquina da rua; ao conviva não convidado num banquete de casamento; ao tolo ingénuo. O vinho fala. Ventriloquiza. Tem um milhão de vozes. Solta a língua, arranca-nos segredos que nunca tencionavamos contar, segredos que nem sequer conhecíamos. O vinho berra, disparata, sussurra. Fala de coisas grandiosas, planos esplêndidos, amores trágicos e terríveis traições. Ri às gargalhadas. Ri suavemente entredentes. Chora perante o seu próprio reflexo. Abre o caminho a Verões de há muito tempo e a memórias que melhor seria esquecer. Cada garrafa um sopro de outros tempos, outros lugares; e cada uma, desde a mais comum Liebfraumilch até à imperiosa Veuve Cliquot de 1945, um humilde milagre. Magia do dia-a-dia, chamou-lhe Joe. A transformação de matéria simples no ingrediente dos sonhos. A alquimia do leigo.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Excerto da Menina do Mar de Sophia de Mello Breyner


No dia seguinte o rapaz chegou à praia, sentou-se ao lado da Menina do Mar e disse:
- Hoje trago-te uma coisa da terra que é bonita e tem lá dentro alegria. Chama-se vinho. Quem bebe fica cheio de alegria.
Enquanto dizia isto o rapaz pousou na ar um copo cheio de vinho. Era um daqueles copos muito pequenos que servem para beber licores. A Menina do Mar segurou o copo com as duas mãos e olhou o vinho cheia de curiosidade, respirando o seu perfume.
- É muito encarnado e muito perfumado - disse ela. - Conta-me o que é o vinho.
- Na terra -- respondeu o rapaz - há uma planta que se chama videira. No Inverno parece morta e seca. Mas na Primavera enche-se de folhas e no Verão enche-se de frutos que se chamam uvas e que crescem em cachos. E no Outono os homens colhem os cachos de uvas e põem-nos em grandes tanques de pedra onde os pisam até que o seu sumo escorra. E a esse sumo dos frutos da videira que chamamos o vinho. Esta é a história do vinho, mas o seu sabor não o sei contar. Bebe se queres saber como é.
E a Menina bebeu o vinho, riu-se e disse:
- É bom e é alegre. Agora já sei o que é a terra. Agora já sei o que é o sabor da Primavera, do Verão e do Outono. Já sei o que é o sabor dos frutos. Já sei o que é a frescura das árvores. Já sei como é o calor duma montanha ao sol. Leva-me a ver a terra. Eu quero ir ver a terra. Há tantas coisas que eu não sei. O mar é uma prisão transparente e gelada. No mar não há Primavera nem Outono. No mar o tempo não morre. As anémonas estão sempre em flor e a espuma é sempre branca. Leva-me a ver a terra.

terça-feira, 17 de abril de 2007

CONVERSAS À VOLTA DO VINHO


Entre no mundo mágico do vinho, acompanhado por um dos mais conceituados enólogos do Douro, João Brito e Cunha.

Desfrute de um dia inesquecível, deliciando-se com aromas e sabores, no Restaurante Amândio.

Data: 26 de Maio 07
Hora: 11h00
Local: Restaurante Amândio, Caminha
Preço p/ pessoa: 70,00€ (inclui prova de 3 vinhos de mesa, 2 vinhos do porto, tapas, caderno de provas).

As inscrições poderão ser feitas até ao dia 19 de Maio 07, e só serão válidas mediante pagamento de 50% do valor da inscrição.


Para mais informações contacte: 707308245 / 960131012